As noticias e comentários do dia a dia de uma pequena aldeia da freguesia de Aldeia das Dez no concelho de Oliveira do Hospital.

.Novas noticias

. Nevoeiro de verão

. O CHEIRO DA SERRA

. SÓ DIGO A VERDADE

. PUREZA DE ESPIRITO

. RIO ALVA

. GOULINHO ESTÁ MAIS ...

. MONTE DO COLCURINHO

. FALSOS CRENTES

. ALDEIA DAS DEZ É LIN...

. GOULINHO --- REQUALIF...

. RECORDAR É VIVER

. AMAR A VIDA

. SENHORA DAS PRECES

. TOPONIMIA NO GOULINHO

. GENTE DO POVO

. A MINHA APRESENTAÇÃO

. O QUE SERÁ DO MEU GO...

. RECADOS

. ERICA VULGARES-----URZE

. MARCHA DO GOULINHO

.arquivos

. Julho 2012

. Junho 2012

. Maio 2012

. Abril 2012

. Março 2012

. Fevereiro 2012

. Janeiro 2012

. Dezembro 2011

. Novembro 2011

. Outubro 2011

. Setembro 2011

. Agosto 2011

. Julho 2011

. Junho 2011

. Maio 2011

. Abril 2011

. Março 2011

. Fevereiro 2011

. Janeiro 2011

. Dezembro 2010

. Novembro 2010

. Outubro 2010

. Setembro 2010

. Agosto 2010

. Julho 2010

. Junho 2010

. Maio 2010

. Abril 2010

. Março 2010

. Fevereiro 2010

. Janeiro 2010

. Dezembro 2009

. Novembro 2009

. Outubro 2009

. Setembro 2009

. Agosto 2009

. Julho 2009

. Junho 2009

. Maio 2009

. Abril 2009

. Março 2009

. Fevereiro 2009

. Janeiro 2009

. Dezembro 2008

. Novembro 2008

. Outubro 2008

. Setembro 2008

. Agosto 2008

. Julho 2008

. Junho 2008

. Maio 2008

Sábado, 13 de Setembro de 2008

Baú de Memórias: O Relojeiro

Em toda a minha história em mim viveram pessoas com várias profissões, dentro delas tive um homem conhecido por toda a Serra do Açor em várias freguesias da região e concelhos vizinhos.

O seu nome era Manuel Lourenço Fernandes mais conhecido por “Relojoeiro”. Desde muito cedo começou a aprender a arte de alfaiate, tendo tido como seu mestre o Sr. Serafim Príncipe de Aldeia Das Dez. Fez fatos para muita gente da nossa região desde o mais simples ao mais sofisticado para a época. Lembro-me das calças de serrubeço, ganga e cotim, muitas dessas calças segundo ele contava eram encomendas feitas por conterrâneos nossos que trabalhavam em Lisboa na muralha (estivadores) porque feitas por ele eram muito mais baratas.

Mas o desejo deste homem era a reparação de relógio sempre que tinha um relógio desmontava-o e voltava a montá-lo e aos poucos fruto da sua curiosidade foi aprendendo.

Sem mestre a arte de concertar relógios veio a ser conhecido e a ganhar grande fama de “Relojoeiro” o que deu origem à alcunha que sempre o acompanhava. Frequentava as feiras de Avô onde já tinha lugar marcado nas escadas frente à igreja tendo uma forma muito engraçada de se sentar (ficava de cócoras ou sentava-se com as pernas cruzadas como os chineses), na feira da Vide o seu lugar era junto á ponte romana do lado da feira. Oliveira do Hospital era outra das feiras por si preferidas neste dia para além do negócio ia ao banco fazer os depósitos não só os seus como de outros vizinhos que nele confiavam para fazer esses movimentos. Todas as pessoas tinham nele uma confiança cega e lhe entregavam para reparação relógios de grande valor tanto sentimental como monetário, em complemento também vendia nas mencionadas feiras ouro novo ou usado.

 

Este artista também vendia máquinas para os relógios das torres de igrejas e capelas, algumas das aldeias da Serra do Açor e arredores têm máquinas por ele vendidas e por ele instaladas. Essas máquinas eram por ele encomendadas á "Reguladora" no Porto, de Lisboa vinha a marca "Coisinha" sendo que segundo ele as peças mais miúdas vinham de Coimbra. A sua habilidade não se esgotava nos relógios pois ainda vendia e consertava máquinas de costura, uma vez que nestes tempos casa que tivesse filha ou filhas quase sempre tinha uma máquina de costura para fazer algumas saias ou blusas para a família e muitas vezes para vizinhos, era a maneira de ganhar mais algum dinheiro pois os recursos eram muito poucos. Havia também as meninas mais prendadas que faziam com a respectiva máquina os bordados para o seu enxoval, outras faziam-no à mão pois não havia dinheiro para adquirir máquinas. Voltando ao nosso artista, este também reparava chapéus-de-chuva, amolava e vendia tesouras, dedais e selos para os correios. Tinha um fraquinho por peças antigas das mais variadas, sendo possuidor de uma colecção de relógios antigos, desde relógios de pulso, relógios de sala e de pêndulo até aos célebres relógios de cuco. Possuía igualmente uma moto antiquíssima não sei a marca mas era igual áquelas que nós vimos nos filmes nazis dos SS. Possuía ainda outra habilidade que era a de tocar muito bem bandolim e violino.
Este homem deixou um vazio na nossa terra e região serrana, fiquei mais pobre e não se prevê que o seu lugar venha a ser ocupado nos tempos mais próximos ou talvez nunca.

Deixo-lhe aqui um muito obrigado pois com o seu saber e a sua arte eu passei a ser mais conhecido.

De qualquer modo nunca é demais recordar, pois os mortos nunca desaparecem enquanto forem recordados pelos vivos. A memória colectiva é sempre um tributo a todos aqueles que contribuíram com algo de bom enquanto passeavam por este mundo…

 

 

publicado por vozdogoulinho às 14:46
link do post | comentar | ver comentários (7) | favorito

.mais sobre mim

.pesquisar

 

.Julho 2012

Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab
1
2
3
4
5
6
7
8
9
10
11
12
13
14
15
16
17
19
20
21
22
23
24
25
26
27
28
29
30
31

.links

.as minhas fotos

blogs SAPO

.subscrever feeds