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Sexta-feira, 3 de Abril de 2009

Homenagem

Os blogs são hoje meios modernos, de comunicação entre pessoas e países. 

Hoje vou-me servir deste modesto blog para homenagear um pouco já tardiamente um grande homem e industrial do nosso Goulinho chamado António Lourenço Duarte, também conhecido por (António Maleiro) este homem nos anos cinquenta construiu na nossa terra uma modesta fábrica de serração de madeiras com a intenção de desenvolver o Goulinho e criar emprego.
A madeira era aqui serrada e transportada para Lisboa para uma outra unidade situada na Horta das Canas em Xabregas e para uma oficina de malas situada na Calçada do Cavaleiros em Lisboa (eram malas feitas em madeira forradas interiormente em papel decorativo e o exterior era em chapa decorativa). É de salientar que o Goulinho na época não tinha energia eléctrica mas a dinâmica desse homem era grande e comprou uma máquina a vapor alimentada a lenha que através de grandes correias e veios de transmissão moviam as várias máquinas.
Passados alguns anos o tio António (como nós o chamava-mos) empreendeu uma luta junto de várias entidades da época nomeadamente Hidro Eléctrica das Beiras com o objectivo de trazer a energia eléctrica para o Goulinho com muito esforço a batalha foi vencida chegou a electricidade e a fábrica foi ampliada dando emprego nos anos sessenta, a cerca de vinte e cinco operários era sem dúvida o maior empregador da Freguesia.
Um grave acidente ocorreu não me recordo do ano a fábrica com um violento incêndio ficou reduzida a cinzas mas o tio António homem crente na Divina Previdência e pediu a Nossa Senhora de Fátima ajuda para a reconstrução da mesma com a graça de Deus a fábrica renasceu das cinzas e em poucos meses tudo voltou ao normal o tio António em forma de agradecimento à Virgem Mãe levou os trabalhadores ao Santuário de Nossa Senhora de Fátima  e serviu dentro da fábrica um lauto almoço para trabalhadores e outro convidados.
Entrei para esta empresa ia fizer 14 anos foi ganhar dez escudos por dia foi o meu primeiro contacto no mundo do trabalho ao tio António e ao seu filho Mestre Vasco Lourenço que foram os meus segundos professores e que contribuíram para a minha formação como profissional e como homem. A eles lhes devo parte do homem que hoje sou aqui lhes deixo o meu muito obrigado.
Abandonei a arte de marceneiro com mais ou menos dezassete anos já ganhava na época trinta escudos por dia mas sonhava ir mais além e fui para Lisboa.
Mas um bichinho ficou ainda hoje gosto de trabalhar a madeira como um hobby.
 

Voltando à fábrica todas as quintas feiras a camioneta da fabrica rumava à capital carregada de madeira e outras coisas que na época era um grande segredo carregávamos a camioneta com madeira nas laterais ficava no meio um corredor falso onde era colocado sacos com batatas, barris de vinho, cestos com queijos, presuntos, enchidos e broa, produtos que as esposas e outras pessoas do Goulinho e terras vizinhas mandavam para maridos e familiares que trabalhavam em Lisboa. Tudo isto tinha que ser feito num verdadeiro segredo porque não era permitido pela Direcção Geral de Viação e o transporte destes produtos só podiam ser transportados em camionetas de aluguer ou em transportes públicos e nunca em camionetas particulares. Essa mercadoria era descarregada muitas as vezes numa garagem na rua do mirante onde os nossos conterrâneos a iam levantar em troca de uma importância monetária muito simbólica.
Ao estar a escrever estas linhas a minha alma está mais triste pois tive conhecimento que o Mestre Vasco no passado mês de Janeiro cessou a actividade por falta já de alguma saúde e a idade também já não ajudar é como tudo na vida tudo tem um fim até as empresas… o Goulinho e a região ficou mais pobre.
Ao tio António esteja onde estiver o meu obrigado e que Deus o ilumine.
Ao mestre Vasco também agradeço o carinho que sempre teve por mim e faço verdadeiros votos para que Deus o tenha entre nós por muitos e bons anos.
Deste vosso ex-operário dedicado e que muito grato está pela ajuda que me deram numa época que eu tanto precisava para o meu desenvolvimento como homem.
 
Obrigado
António Assunção
publicado por vozdogoulinho às 19:09
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8 comentários:
De Lourdes a 3 de Abril de 2009 às 21:14
Lembro-me bem de ir à serração do Goulinho com o meu pai, quando era mais nova, embora não tenha ideia dos seus donos. No entanto, fico triste por mais uma empresa da nossa região fechar as suas portas . Sinais da crise e da desertificação.
De Anónimo a 4 de Abril de 2009 às 16:12
Caro Sr. António Assunção
Em primeiro lugar quero louvar o excelente trabalho que está a fazer em prol do Goulinho.
Só recentemente tive conhecimento deste blog e tem sido uma grande surpresa descobrir fotos, notícias e sobretudo História.
Efectivamente, o que o Sr. tem feito é recuperar a memória de uma aldeia, das suas gentes, dos seus costumes e vivências de tempos idos.
Um povo sem memória é um povo sem História e o seu trabalho, utilizando as novas tecnologias, tem um papel fulcral na persistência da memória ao relembrar aos mais velhos ecos da sua infância e juventude passados no Goulinho mas tem, também, um efeito pedagógico extraordinário ao ensinar aos mais jovens como era a realidade, umas vezes alegre, outras vezes muito dura, das gentes do interior beirão.
A sua última participação tocou-me particularmente, não só porque sou descendente desse beirão exemplar a quem o Sr. presta homenagem mas, porque as suas palavras agradecidas e a sua recordação são um excelente exemplo de alguém que não esquece o passado, tem orgulho dele e, sobretudo, sabe reconhecer aqueles que tiveram uma influência positiva no seu futuro.
Como o presente, está imbuído de interesses imediatos, onde impera o egoísmo e o materialismo, as suas palavras são uma pedrada no charco das nossas consciências adormecidas. Elas falam de amizade, de altruísmo, de reconhecimento, valores tão desusados na actualidade, infelizmente.
Concordo consigo, os grandes homens nunca morrem …
Bem-haja pelo seu empenho e dedicação ao Goulinho e aos goulinhenses de todos os tempos.

Grata pela sua atenção,
Célia Lourenço
De Rotiv a 4 de Abril de 2009 às 16:52
Ah Grande LOURENÇO :))))

Divulgação:

Petição Contra a Venda das Antigas Torres de Radar

http://bloteigas.blogspot.com/2009/04/manteigas-peticao-contra-venda-das.html
De ANTONIO ASSUNÇÃO a 6 de Abril de 2009 às 09:19
Célia Agradeço do fundo do meu coração o teu comentário, eu não mereço tanto elogio , faço o que penso que devo de fazer.Tal como dizia Miguel Torga vim do povo sou povo e no povo hei-de morrer. Grato pela tua atenção António Assunção
De Célia a 6 de Abril de 2009 às 15:35
Caro Sr. António Assunção,
As minhas palavras são apenas para agradecer o seu trabalho e a sua dedicação louváveis. Como também dizia o grande Torga, "quem faz o que pode faz o que deve." O Sr. cumpre o seu dever de cidadão activo, interveniente e solidário. Por isso merece o agradecimento de todos os que, de alguma forma, estão ligados ao Goulinho .
Cumprimentos e uma Páscoa feliz para o Sr., Exª família e, extensivamente, para todos os Goulinhenses .
Grata pela atenção,
Célia Lourenço
De ANTONIO ASSUNÇÃO a 6 de Abril de 2009 às 16:56
CÉLIA As tuas simpáticas palavras são um incentivo para continuar a falar do nosso Goulinho dos usos e costumes das nossas gentes. Uma Santa Páscoa para ti e toda a família um abraço especial para teu pai. António Assunção
De rouxinoldepomares a 5 de Abril de 2009 às 22:30
Amigo António Assunção. Uma excelente descrição de humildade e reconhecimento. Os meus parabéns e um abraço d'
António Manuel Silva
De Rotiv a 9 de Abril de 2009 às 18:26
O Blogue dos MANTEIGAS deseja a todos os seus amigos e visitantes uma Santa Páscoa recheada com amêndoas e Alegria.
Muitos sorrisos, http://bloteigas.blogspot.com/

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