As noticias e comentários do dia a dia de uma pequena aldeia da freguesia de Aldeia das Dez no concelho de Oliveira do Hospital.

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Sábado, 11 de Outubro de 2008

As vindimas

Então aqui vai uma conversa que ouvi há alguns dias:

- Bom dia compadre Chico. Então já a vindimar?

- Tem que ser compadre Zé... e olhe, que já fui buscar um molho de mato para as cabritas. Quanto à vindima, este ano nem dá gosto apanhar os cachos, uns estão maduros, outros verdes, outros com as últimas chuvas apanharam bolor... Temos que nos contentar com o que Deus nos dá!

- É verdade compadre Chico! Eu também já cortei alguns e até já estão a ferver,  a comadre até já foi provar o vinho doce, diz que já está bom para fazer a gerepiga, que eu todos os anos faço um pouquito dela. Pró próximo fim-de-semana vou cortar o resto, a minha gente de Lisboa vem cá dar uma ajudita, é que eu, e a comadre Maria já andamos cansados, a idade não perdoa.

- O compadre Zé, nós também cá gostamos de ver o nosso afilhado mais os pequenitos. Ó se gostamos!!
-
Compadre Chico, eu ainda lá tenho um pipo de dois almudes do ano passado, se não fosse esse pipo este ano ficava enrascado, não chegava para o resto do ano, sabe como é, a família leva para Lisboa, eu também gosto de dar um copo aos amigos, e eu e a comadre também bebemos um copito.

- O compadre Zé, nem me faça lembrar tristezas, então quer você saber, tinha lá pipito com cinco almudes e estragou-se! Sabe, dizem que não é bom entrar em adega mulher que ande com a doença do mês, a comadre por lá entrou com alguma amiga dela, e olhe o que deu, estragou-se tudo! já viu o meu prejuízo? Nem o disse a ninguém... é o compadre o primeiro a saber, vou queimá-lo mas parte vou fazer um pouco de aguardente, sempre vendo um garrafão ou dois dela, assim já o prejuízo é mais pequeno.

- Pois é compadre Chico, temos muita despesa com as videiras... Dão-nos muito trabalho, é podar, estacar, atar, fazer três ou quatro curas, mais enxofre,   olhe que feitas as contas nem sei se vale a pena fazer o vinhito.

- Ó compadre zé, é verdade, mas olhe sempre se vende dois ou três almudes,  mas também só o vendo se for bem vendido! Andam para ai uns gosmas, que só o querem de graça.

- Ó compadre Chico, quer lá saber uma? No ano passado veio ai um passarão, nem lhe digo o nome dele! Só não lhe dei uma arrochada, porque tenho mais vergonha que ele, queria-mo comprar ao preço da uva mijona mas eu disse-lhe logo que preferia abrir a torneira ao pipo e deitá-lo fora.

- Ó compadre Zé, também a mim me bateu á porta, um papagaio, para me comprar umas batatas, eu pedi-lhe um dinheirito, quatro euros a arrouba, diz que a esse preço comprava-as em Lisboa, eu respondi-lhe então compra, mas não compras desta qualidade. Ò depois procurou-me o preço do braçado das cebolas, pedi cinquenta cêntimos, diz que também eram caras. Sabe o que eu fiz compadre Zé? Disse a esse salafrário, tu queres é de borla, toma lá um braçado delas mas sou eu que te dou. Ó compadre o salafrário aceitou-as. Quanto é que me haviam de dar a mim, para fazer uma figura destas? Ó compadre Xico neste mundo cão já nada me admira... há para ai tantos exploradores!

- Ó compadre Chico, vou andando que a comadre está aquecer o forno e eu tenho que ir meter a broa no forno, como passou ai o sardinheiro vamos fazer uma bola de sardinha para o almoço depois ainda tenho que ir estender o milho ao sol que ele já vai alto…

- Até logo, compadre Zé!
-
Adeus, compadre Chico!

 

 

publicado por vozdogoulinho às 20:22
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4 comentários:
De DO ALTO DO MONTE a 13 de Outubro de 2008 às 13:46
Gostei , espelha bem o que de verdadeiro se passa nas nossas aldeias, é com estas simples mas verdadeiras palavras, que escritas com ésta simplicidade, se divulga a serra do açor, se não for com estes escritos que embora sejam muito simples ,mas divulgão as aldeias e as serra, se não formos nós a fazelo quem o fará por nós ? acompanho com regularidade os vários blogs da região, alguns muito bons O ROUXINOL DE POMARES - O AÇOR A VOZ DO GOULINHO não quero melindrar ninguem, os outros tambem o são, só que postam menos vezes ,talvez por falta de tempo, mas já o meu professor dizia, com o tempo organizado temos tempo para tudo, vamos lá falar, mesmo que seja para dizer mal, como um amigo meu dizia( falem de mim nem que seja para dizer mal mas falem de mim ) falem da serra, das nossas aldeias, comentem os vários blogs da região, só falando seremos conhecidos.
De canticosdabeira a 14 de Outubro de 2008 às 13:47
À Voz do Goulinho em 14/10/2008
Venho agradecer-lhe o seu comentário, deixado há dias nos meus Cânticos da Beira":

Gostei da linda descrição feita aqui, sobre as nossas aldeias, agora tão esquecidas e mal assistidas....
Então vou deixar-lhe, aqui, um poema com o título:
VIVER NA ALDEIA

Queria, assim, viver na aldeia
Toda de verdes cercada,
Onde lá ninguém guerreia,
"Cada qual seu pão granjeia"
E vive à terra abraçada.

Ter uma casa baixinha
Com janelas pró quintal;
Dizer: - Olá à vizinha,
Comer broa com sardinha,
Da gorda que não faz mal.

Levantar-me bem cedinho,
Ir pela fazenda além,
Afagar um cordeirinho
E andar por esse caminho
Vê-lo a brincar com a mãe.

De maneira curiosa,
Ver se a cabra teve filhos,
Colher, por lá, uma rosa;
Na eira, em tarde calmosa,
Ir ver se estão secos os milhos.

Viver na aldeia, que graça
Aonde todos se dão...
Há sorrisos pra quem passa,
O passaredo esvoaça
A cantar de animação!

Hoje abalam do seu seio
E deixam triste a devesa...
Mas o estrangeiro veio;
Será que foi pelo meio
De avivar a natureza?!...

Clarisse Barata Sanches - Góis- Portugal
De Andesman a 14 de Outubro de 2008 às 22:27
Não me recordo de ter passado pelo Goulinho. Mas se fica para os lados do Piódão, que conheço, é provável. As minhas origens são do concelho de Góis.
Gostei dos compadres Zé e Chico.

Tudo pelo melhor
De Andesman a 15 de Outubro de 2008 às 15:39
Meu caro António Assunção, conheço bem a Ponte das Três Entradas, já passei mais de uma vez pela Aldeia das Dez, e fui uma vez ao Santuário de Nossa Senhora das Preces. Só do Goulinho não tenho ideia. Pronto, mas agora já sei onde fica. Obrigado

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