As noticias e comentários do dia a dia de uma pequena aldeia da freguesia de Aldeia das Dez no concelho de Oliveira do Hospital.

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Sábado, 13 de Setembro de 2008

Baú de Memórias: O Relojeiro

Em toda a minha história em mim viveram pessoas com várias profissões, dentro delas tive um homem conhecido por toda a Serra do Açor em várias freguesias da região e concelhos vizinhos.

O seu nome era Manuel Lourenço Fernandes mais conhecido por “Relojoeiro”. Desde muito cedo começou a aprender a arte de alfaiate, tendo tido como seu mestre o Sr. Serafim Príncipe de Aldeia Das Dez. Fez fatos para muita gente da nossa região desde o mais simples ao mais sofisticado para a época. Lembro-me das calças de serrubeço, ganga e cotim, muitas dessas calças segundo ele contava eram encomendas feitas por conterrâneos nossos que trabalhavam em Lisboa na muralha (estivadores) porque feitas por ele eram muito mais baratas.

Mas o desejo deste homem era a reparação de relógio sempre que tinha um relógio desmontava-o e voltava a montá-lo e aos poucos fruto da sua curiosidade foi aprendendo.

Sem mestre a arte de concertar relógios veio a ser conhecido e a ganhar grande fama de “Relojoeiro” o que deu origem à alcunha que sempre o acompanhava. Frequentava as feiras de Avô onde já tinha lugar marcado nas escadas frente à igreja tendo uma forma muito engraçada de se sentar (ficava de cócoras ou sentava-se com as pernas cruzadas como os chineses), na feira da Vide o seu lugar era junto á ponte romana do lado da feira. Oliveira do Hospital era outra das feiras por si preferidas neste dia para além do negócio ia ao banco fazer os depósitos não só os seus como de outros vizinhos que nele confiavam para fazer esses movimentos. Todas as pessoas tinham nele uma confiança cega e lhe entregavam para reparação relógios de grande valor tanto sentimental como monetário, em complemento também vendia nas mencionadas feiras ouro novo ou usado.

 

Este artista também vendia máquinas para os relógios das torres de igrejas e capelas, algumas das aldeias da Serra do Açor e arredores têm máquinas por ele vendidas e por ele instaladas. Essas máquinas eram por ele encomendadas á "Reguladora" no Porto, de Lisboa vinha a marca "Coisinha" sendo que segundo ele as peças mais miúdas vinham de Coimbra. A sua habilidade não se esgotava nos relógios pois ainda vendia e consertava máquinas de costura, uma vez que nestes tempos casa que tivesse filha ou filhas quase sempre tinha uma máquina de costura para fazer algumas saias ou blusas para a família e muitas vezes para vizinhos, era a maneira de ganhar mais algum dinheiro pois os recursos eram muito poucos. Havia também as meninas mais prendadas que faziam com a respectiva máquina os bordados para o seu enxoval, outras faziam-no à mão pois não havia dinheiro para adquirir máquinas. Voltando ao nosso artista, este também reparava chapéus-de-chuva, amolava e vendia tesouras, dedais e selos para os correios. Tinha um fraquinho por peças antigas das mais variadas, sendo possuidor de uma colecção de relógios antigos, desde relógios de pulso, relógios de sala e de pêndulo até aos célebres relógios de cuco. Possuía igualmente uma moto antiquíssima não sei a marca mas era igual áquelas que nós vimos nos filmes nazis dos SS. Possuía ainda outra habilidade que era a de tocar muito bem bandolim e violino.
Este homem deixou um vazio na nossa terra e região serrana, fiquei mais pobre e não se prevê que o seu lugar venha a ser ocupado nos tempos mais próximos ou talvez nunca.

Deixo-lhe aqui um muito obrigado pois com o seu saber e a sua arte eu passei a ser mais conhecido.

De qualquer modo nunca é demais recordar, pois os mortos nunca desaparecem enquanto forem recordados pelos vivos. A memória colectiva é sempre um tributo a todos aqueles que contribuíram com algo de bom enquanto passeavam por este mundo…

 

 

publicado por vozdogoulinho às 14:46
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7 comentários:
De Lourdes Filipe Martinho a 14 de Setembro de 2008 às 16:03
Ora aqui está mais uma pessoa do Goulinho ao qual me ligavam laços de sangue. Meu pai fala muito deste homem, que se tratavam por primos e que tinham uma paixão comum -os relógios. Continua a divulgar o que de bom tiveste no passado, pois ainda tens muito que contar. Ao Sobral Magro também se deslocavam o sapateiro (apesar de lá haver o tio Pereira), o homem das mantas fitas e outros de que ainda me lembro e recordo com saudade.
De António Lourenço a 15 de Setembro de 2008 às 22:33
António M. D. Lourenço
Porque será que só hoje descobri este Blog, eu que procuro sempre paginas ou blogs que se identificam com os meus antepassados, conheço bem o Goulinho e algumas destas pessoas, também participei nas idas ao cabeço, nasci no Cimo da Ribeira, lembro-me do Boco ser habitado, do Goulinho ter quase todas as casas habitadas, hoje fiquei triste quando recordei o desaparecimento de dois saudosos Homens do Goulinho o Ti Manel relojoeiro e o Ti Serafim, espero voltar a ler outras passagem da vivencia das gentes do Goulinho
De ANTONIO ASSUNÇÃO a 16 de Setembro de 2008 às 10:45
Caro Antonio Lourenço será que somos primos tenho no Cimo da Ribeira um primo chamado Fernando ( carpinteiro ) tens alguma familiaridade com este senhor é que á aqui uma coicidencia eu tambem me chamo Antonio Lourenço da assunção e sou do GOULINHO conheço o cimo da ribeira como as minhas mãos no Boco sou ainda um dos resitentes a cultivar embora viva em Lisboa vou todos os mêses ao Goulinho vou dia 22 passar lá 2 semanas podes responder para o blog que é da minha filha embora eu lá tenha as coisas do passado se me quizeres responder para o meu meill podes fazelo
aassuncao@rexel.pt
um abraço Antonio Assunção
De Luis Antunes a 16 de Setembro de 2008 às 19:44
Ola amigos do GoulinhVim cuscar um pouco das vossas tradíções e ao mesmo tempo pq tambem queria através do vosso blogue cumprimentar o meu amigo António Assunção Um Abraço meu caro amigo
E agora depois de ler esta postagem lembrei me que aqui em Bogas embora nunca tenha conhecido ninguem que fizesse da relojoaria uma profissão, lembro me do Zé Nunes que era o relojoeiro de serviço ás avarias do relógio da Igreja
Era um espectaculo trabalhar com peças de relógio daquela envergadura
aum abeijo á autora da Voz do Goulinho.
Sou Fã desta pagina
De cepos a 19 de Setembro de 2008 às 21:23
Para contactar o Sr. Armando Barata: armandobarata@msn.com
De Mourinha a 19 de Novembro de 2008 às 22:13
Peço desculpa por só hoje vir até aqui, e ver o post que fala no "relojoeiro", mas andei ausente do blog e só hoje vi que tinham deixado "um recado" no meu blog da foz da Moura!!
Vi, li e gostei!! Era um homem que eu achava interessante quando ia com a minha avó á feira de Avô, porque o seu lugar estava sempre marcado á porta da igreja, geralmente sempre na companhia de sua esposa!!
Sei também que tinha boa memória, pois aqui á alguns anos atrás, a meu pai foi oferecido um relógio de bolso e corda muito antigo, mas que não funcionava. O meu pai levou o dito relógio ao Ti Manel Relojoeiro que assim que lhe "pôs os olhos" disse logo de quem tinha sido e de onde tinha vindo!!
Homens e mulhres assim nunca haviam de morrer, pois fazem falta como pessoas e pelas artes que desempenhavam!!
Beijinhos e abraços da Mourinha!!!
De Gina a 26 de Dezembro de 2010 às 16:10
Um grande bem-haja pelas palavras simpáticas, que lamento só ter encontrado agora.
O meu avô era tudo o que diz, e muito mais.
Deixou muita saudade.

Cumprimentos e um muito obrigada.

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