As noticias e comentários do dia a dia de uma pequena aldeia da freguesia de Aldeia das Dez no concelho de Oliveira do Hospital.

.Novas noticias

. Nevoeiro de verão

. O CHEIRO DA SERRA

. SÓ DIGO A VERDADE

. PUREZA DE ESPIRITO

. RIO ALVA

. GOULINHO ESTÁ MAIS ...

. MONTE DO COLCURINHO

. FALSOS CRENTES

. ALDEIA DAS DEZ É LIN...

. GOULINHO --- REQUALIF...

. RECORDAR É VIVER

. AMAR A VIDA

. SENHORA DAS PRECES

. TOPONIMIA NO GOULINHO

. GENTE DO POVO

. A MINHA APRESENTAÇÃO

. O QUE SERÁ DO MEU GO...

. RECADOS

. ERICA VULGARES-----URZE

. MARCHA DO GOULINHO

.arquivos

. Julho 2012

. Junho 2012

. Maio 2012

. Abril 2012

. Março 2012

. Fevereiro 2012

. Janeiro 2012

. Dezembro 2011

. Novembro 2011

. Outubro 2011

. Setembro 2011

. Agosto 2011

. Julho 2011

. Junho 2011

. Maio 2011

. Abril 2011

. Março 2011

. Fevereiro 2011

. Janeiro 2011

. Dezembro 2010

. Novembro 2010

. Outubro 2010

. Setembro 2010

. Agosto 2010

. Julho 2010

. Junho 2010

. Maio 2010

. Abril 2010

. Março 2010

. Fevereiro 2010

. Janeiro 2010

. Dezembro 2009

. Novembro 2009

. Outubro 2009

. Setembro 2009

. Agosto 2009

. Julho 2009

. Junho 2009

. Maio 2009

. Abril 2009

. Março 2009

. Fevereiro 2009

. Janeiro 2009

. Dezembro 2008

. Novembro 2008

. Outubro 2008

. Setembro 2008

. Agosto 2008

. Julho 2008

. Junho 2008

. Maio 2008

Quarta-feira, 10 de Novembro de 2010

PASSADO E O PRESENTE

 

 

 

 

Nestes dias de chuva e já com algum frio, sentado à lareira ás voltas com o assador das castanhas dou por mim a pensar, cá com os meus botões, nos tempos passados, em que a vida era difícil. As castanhas nesta época do ano era o alimento de muita gente, assadas , cozidas, a sopa de castanhas, o carolo ( milho moído mais grosso ) uma sardinha para três , enfim as gentes mais pobres não tinham muito por onde escolher.

 

E para terem estas poucas coisas, muito tinham que trabalhar, muitas vezes de sol a sol… o passado nunca se afasta de nós e faz parte do presente.

Quando o dia é mais quente, à noite quando ouço o cantar dos grilos e dos ralos, vem-me logo à lembrança o tempo das sementeiras que eu ainda vivi. Hoje como aposentado ainda vou granjeando a minha horta, mas nada como no passado, em que se tinha de esbordar as terras dos cômbaros, para se semear o milho, o feijão, as batatas , as cebolas, e algumas botelhas (abóbora ) para fazer a sopa de abóbora, e também para a alimentação dos porcos ( suínos ). Os trabalhos da cava , era feita por grupos de três, ou quatro homens, na falta deles eram as mulheres que faziam esse trabalho, quase sempre acompanhados de melros, e lavrandeiras, que atrás dos cavadores, a abanar o rabo, comiam as minhocas e outros bichos que estavam na superfície da terra já cavada .

 

 

Homens e mulheres, já com borregas nas mãos e o suor a cair-lhe do rosto e quantas vezes mal alimentados , com comida às secas, composta de broa e azeitonas, ou um naco de toucinho, ou chouriço, um ou dois copos de vinho, e assim se passava o dia.

 

Quantas mães choravam, por quase nada terem para dar aos filhos , muitos dos maridos tinham partido para a cidade à procura de melhor vida , de longe em longe lá vinha uma carta, matava saudades, porque nela pouco mais vinha . Os maridos só vinham à terra no dia da festa da aldeia, e muitos deles, nesse dia , esqueciam-se dos sacrifícios que a mulher cá tinha passado. Com alguma vaidade, na hora do leilão á porta da capela , com um fatinho já mais janota, uns, desafiavam os outros, era a ver quem dava o lance mais alto, não pensado, que após a festa, era o regresso á cidade, e quem cá estava, se mal estava, pouco melhor ficava.

Triste vida, a de tais mulheres, que sozinhas amanhavam avesseiras, tapados, valeiros, coirelas, e assentadas, fazendo das tripas coração, para manterem as fazendas todas cultivadas, até ás beiradas ,todas a terem de ser sachadas, enleiradas, regadas pela água das poças e levadas, a água era o ouro da terra .

Vida desgraçada que nem tempo tinham para descansar , chegada a noite, tinham que dar a ceia ao porco, ( quem o tinha ) porque muita gente, nem esse bem podia ter, por falta de dinheiro para o comprar. Havia que tapar as galinhas no galinheiro, de modo a que a raposa esperta, não pregasse uma surpresa, fazer a sopa de couves com um pouco de feijão ,e um fio de azeite, ou na ausência desse precioso liquido, um naco de toucinho dava para adubar a panela. Esta sopa dava para a ceia e refeição do dia seguinte, só depois iam para a cama, mais mortas que vivas , para no dia seguinte, ainda o sol lá vinha longe, e já essas grandes mulheres se tinham levantado, para ir roçar um molho de mato, para pôr no curral dos animais (cabras e ovelhas ou porcos ). De seguida iam deitar a água, que andava por andada , e cada lavrador tinha que a deitar no tempo que lhe era destinado, enfim tempos difíceis que espero que não voltem.

 

 

Hoje os tempos são difíceis, temos sido desgovernados, por gente oportunista, gente criada em lençóis de linho, que só estudaram, ( para falarem em nome do povo mas na mente dessa gentinha o povo nunca existiu ) nunca trabalharam. Não sabem o que custa a vida, nunca sentiram na pele o drama do desemprego, ou alimentarem uma família só com o ordenado mínimo, já lá vão trinta e cinco anos, e a geração de quarenta, e cinquenta, quiseram dar aos filhos, tudo, e muito rápido, o que eles não tiveram em criança, e na adolescência,, essa geração entendeu que os filhos tinham que ser todos doutores. Não vou aqui questionar esses direitos, que são legítimos, os pais querem sempre o melhor para os filhos, só que, com esse desejo perderam-se valores , na educação , no saber respeitar , no saber poupar, quando alguns pais, hoje, chamam à atenção dos filhos , para um passado, em que para os criar a vida era muito dura, essa mesma juventude responde, “hoje os tempos já são outros”. Sim, os tempos são outros, o tempo do despesismo, as roupas de marca, telemóvel último modelo, carro novo, casa nova , antigamente comprava-se casa (aqueles que a podiam comprar com muito sacrifício) casa essa que era para toda a vida , hoje mudam de casa como quem muda de camisa, muitos não podem , mas querem ter o que o vizinho tem, e então muitas vezes para o conseguirem vão por caminhos errados.

 

Os média entram-nos por casa dentro com a publicidade enganosa, alguns até com a oferta de dinheiro emprestado, gente menos bem informada, adere de imediato a estas ofertas , venenosas, outros fazem junto da banca, empréstimo para irem de férias ,( não conhecem o Pais onde vivem mas o que há lá fora é que é bom ) resumindo é assim que o País se encontra. Na falência de valores, tanto éticos, como económicos. E como se tudo isto não fosse o suficiente, ainda temos políticos que não sabem dar bons exemplos, desbaratam o erário publico, em favor deles próprios, e ninguém os chama á responsabilidade. Têm imunidade… e se por acaso forem descobertas as suas falcatruas e forem a tribunal, ( o que raramente acontece ) o processo é moroso, propositadamente para prescrever, e nunca são condenados ( e ainda chamam á gente séria estúpidos ). A justiça só julga o pobre , porque o rico, o juiz julga , consoante a condição social, ou a amizade, ou da cunha, do cidadão que tem à sua frente. Quantas pessoas importantes neste pobre Pais já foram condenadas ? Será que o cidadão comum ao ver tudo isto não é aliciado a fazer o que não deve… Mas no meio de todos estes meus pensamentos , veio-me mais um á lembrança, será que, com esta crise que se vive actualmente, fábricas a fechar, o desemprego a aumentar, as reformas a diminuírem, os subsídios a desaparecerem , gente que vive na cidade, que tem que comprar tudo, desde a água ao sal, não terão que regressar ás suas terras de origem, e voltar a cultivar as terras que em tempos passados deixaram ao abandono ?

Com todos estes meus pensamentos, as castanhas estão quase queimadas, vou mas é à adega, buscar uma garrafita do tinto, e vou é comer as castanhas, amanhã é outro dia, e se Deus quiser melhores dias virão.

 

 

Agora para brincar um pouco

 

A Jaquina Papoila encontrou uma amiga

E diz para a amiga,

Ai o teu bebé é tão lindo, é mesmo a cara do pai,

 

Responde a amiga, não digas isso Jaquina, o meu marido pode ouvir…

 

 

 

 

 

 

publicado por vozdogoulinho às 21:20
link do post | comentar | favorito
|
3 comentários:
De luis antunes a 11 de Novembro de 2010 às 20:33
Meu carissimo amigo Antonio
Desejo lhe uma optima estadia na sua aldeia do Goulinho tambem comoa minha perdida no meio da serra
Ao ler esta sua postagem que achei como que um lamento, tambem em vieram á lembrança toda essa gente que labutou com todas as suas energias para sobreviver á na vida dura d e então
Hoje há ainda muita miséria mas lamentamo nos muitas vezes de barriga cheia
E s e não fossem os politicos que teem feito deste país o seu quintal de onde tiram o conteudo e nos deixam a terra para cavar , isto estaria muito melhor
Fiquei desiludido quando notei o seguinte: Quando lutei para que o tempo da outra senhora acabasse era na esperança de ver menos pobres no futuro e afinal acabo por me dar conta que os ricos estão cada vez mais ricos e os pobres alem de aumentarem ficam cada vez mais pobres
Meu caro amigo desejo lhe uns optimos dias e serões á lareira comendo umas castanhas e bebendo uns copitos
Para mim continuo com aquela maxima que devemos gozar enquanto vivemos pois vamos estar muito tempo mortos
entre mortos e feridos alguns vão escapar
um abraço amigo
De Andesman a 11 de Novembro de 2010 às 22:09
Conheci esses tempos e essas dificuldades, embora não fosse dos mais atingidos. Mas trabalhei duro e tudo o que consegui foi com grande esforço. Hoje os tempos são diferentes, mas como bem diz não se sabe se não haverá brevemente um regresso forçado às aldeias e ao aproveitamento das terras de cultivo abandonadas.

Senhor António Assunção, o meu amigo Anibal Moreira da Simantorta, irmão de Arlindo Moreira casado aí no Goulinho, faleceu anteontem em Lisboa e o seu funeral foi hoje em Alvares. Estou muito triste. O Anibal Moreira era uma pessoa amiga estimado e respeitado por todos. Era casado com uma prima minha. Em Agosto quando estive de férias, estive na sua casa, a provar os queijos, a broa e o vinho. Depois ele esteve na festa da minha terra Algares. Parecia estar tudo bem com ele e foi a ultima vez que o vi. É assim a vida.

1 abraço
De Rotiv a 23 de Novembro de 2010 às 22:33
Oláaaaaaaaaaaaaaa :)

Já mudámos!…

Se por um lado nos continuamos a chamar O Blogue dos Manteigas , já o nosso domínio deixa de ser “bloteigas” para se tornar coincidente com o nosso nome http://obloguedosmanteigas.com/

Esperamos que nos continuem a acompanhar na nossa nova “casa” :)

Comentar post

.mais sobre mim

.pesquisar

 

.Julho 2012

Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab
1
2
3
4
5
6
7
8
9
10
11
12
13
14
15
16
17
19
20
21
22
23
24
25
26
27
28
29
30
31

.links

.as minhas fotos

blogs SAPO

.subscrever feeds