As noticias e comentários do dia a dia de uma pequena aldeia da freguesia de Aldeia das Dez no concelho de Oliveira do Hospital.

.Novas noticias

. Nevoeiro de verão

. O CHEIRO DA SERRA

. SÓ DIGO A VERDADE

. PUREZA DE ESPIRITO

. RIO ALVA

. GOULINHO ESTÁ MAIS ...

. MONTE DO COLCURINHO

. FALSOS CRENTES

. ALDEIA DAS DEZ É LIN...

. GOULINHO --- REQUALIF...

. RECORDAR É VIVER

. AMAR A VIDA

. SENHORA DAS PRECES

. TOPONIMIA NO GOULINHO

. GENTE DO POVO

. A MINHA APRESENTAÇÃO

. O QUE SERÁ DO MEU GO...

. RECADOS

. ERICA VULGARES-----URZE

. MARCHA DO GOULINHO

.arquivos

. Julho 2012

. Junho 2012

. Maio 2012

. Abril 2012

. Março 2012

. Fevereiro 2012

. Janeiro 2012

. Dezembro 2011

. Novembro 2011

. Outubro 2011

. Setembro 2011

. Agosto 2011

. Julho 2011

. Junho 2011

. Maio 2011

. Abril 2011

. Março 2011

. Fevereiro 2011

. Janeiro 2011

. Dezembro 2010

. Novembro 2010

. Outubro 2010

. Setembro 2010

. Agosto 2010

. Julho 2010

. Junho 2010

. Maio 2010

. Abril 2010

. Março 2010

. Fevereiro 2010

. Janeiro 2010

. Dezembro 2009

. Novembro 2009

. Outubro 2009

. Setembro 2009

. Agosto 2009

. Julho 2009

. Junho 2009

. Maio 2009

. Abril 2009

. Março 2009

. Fevereiro 2009

. Janeiro 2009

. Dezembro 2008

. Novembro 2008

. Outubro 2008

. Setembro 2008

. Agosto 2008

. Julho 2008

. Junho 2008

. Maio 2008

Domingo, 20 de Julho de 2008

Baú de Memórias: A Quinta do Boco

Hoje estou muito bem disposto e decidi mais uma vez abrir o meu baú de memórias para o poder partilhar convosco: nos anos 50 a Quinta do Boco ainda era habitada recordo-me ainda do tio Henrique, do tio Alexandre e mulher, do Antonio do Boco (como era conhecido) sua mulher e filhos. Mas o passar do tempo é impiedoso e aos poucos o Boco foi-se desertificando, uns levados pela morte e outros pelo desejo de uma vida melhor...

 

Mas o cultivo da quinta lá se foi fazendo com os moradores do Goulinho, uns como proprietários, outros rendeiros para lá iam todos os dias "deitar o gado", como se diz cá na terra ou seja pôr o gado à solta nos prados e levar as cabras e ovelhas a pastarem no mato, trabalho quase sempre da incumbência dos mais novos antes de irem para a escola e no regresso da mesma, deixando os trabalhos de casa para serem feitos à noite...

 

 

 

Os adultos logo pela manhã iam roçar um molho de mato para servir de cama aos animais, mato esse que se transformava depois em estrume para os campos. Na Quinta do Boco cultivava-se maioritariamente milho, feijão, algumas batatas e centeio. Os terrenos maiores eram lavrados com juntas de bois, lembro-me ainda como se fosse hoje do Sr. Cipriano, mais tarde o Sr. Carmindo e do Tio António Silva do Chão Sobral que com as sua juntas de bois vinham dar uma ajuda nos chamados "dias de lavrador". Este era o dia em que eram lavrados os campos, era quase um dia de festa pois fazia-se a melhor comida para ofertar ao lavrador e aos outros trabalhadores.   Normalmente a dona do terreno ou a rendeira trazia a comida numa cesta à cabeça, era colocada no chão uma manta por cima uma toalha (a mais bonita que tivessem), cada um se sentava onde podia quer fosse em cima de uma pedra ou mesmo no chão. Era servido bom presunto, chouriço de carne, de sangue ou farinheiras, bacalhau frito, queijo rijo ou fresco tudo regado a vinho. Havia também quem trouxesse feijoada, grão com bacalhau e até pão de ló, era enfim um verdadeiro dia de festa. O tipo de comida servido bem como os ornamentos apresentados distinguiam mais uma vez as classes sociais e representavam a posição social que cada um detinha na hierarquia local.

Finda a lavragem ou a cava (quando feita por grupos de homens e mulheres), o milho era semeado, mais tarde sachado (tirar as ervas), depois enleirado e empalhado (regado). Qundo já estava criado, cortava-se a bandeira (flor no cimo da cana do milho), as folhas e as bandeiras eram estendidas para secarem para por vezes serem vendidas ou não consoante as ovelhas que os propietários tivesem, uma vez que se fossem muitas era o alimento que em dias de chuva os animais comiam

Por vezes quem ali cultivava passavam ali o dia e para não virem ao Goulinho levavam uma "bucha" de casa que era constituida por azeitonas, toucinho, choriço ou queijo ou coziam lá umas batatas. Só regressavam a casa á noite, mas durante o dia durante as lides era uma alegria ouvir aquela gente cantar cantigas daquela época muitas vezes ao desafio uns com os outros. Era um trabalho duro mas muito alegre que o Boco nunca mais voltará a ver... Hoje ao ver os campos cheios de silvas com muitos castanheiros a precisarem de limpeza recordo com nostalgia aqueles tempos que já lá vão... Alegra-me que ainda hajam resistentes que mesmo não tendo residência permanente no Goulinho ainda vão limpando o que podem... O Boco agradece-vos!

 

 

publicado por vozdogoulinho às 16:26
link do post | comentar | favorito
|
10 comentários:
De António M.R.Martins a 20 de Julho de 2008 às 18:04
Goulinho,
Voltáste a textualizar de forma suprema o descabido (mas sintomática realidade) do passar dos tempos... a coexistência permanece mas sem o habitual labor diário do quotidiano, o que redunda em nostalgia e constrangimento... é a saudade!...
Urge alterar este percurso, mas como?
Vai dissertando as tuas mágoas, que porventura, movimentos benévolos e dinamizadores hão-de surgir... Força, continua!...
Um forte abraço
De Lourdes Filipe Martinho a 20 de Julho de 2008 às 21:27
Lembrei-me agora que tenho raízes nesse local, ou por aí. A minha avó falava muito do Cimo da Ribeira e penso ter ainda família aí pelo Goulinho . Continua a contar coisas sobre ti e sobre as tuas gentes. Pode ser que um dia eu encontre algum familiar meu. Eu estou em http :/ oacor.blogspot.com /
De liliana monteiro a 21 de Julho de 2008 às 11:55
Gostava de saber se é possível adicionar o link www.soitodaruiva.com ao vosso blog.

Liliana Monteiro
De revoltado a 22 de Julho de 2008 às 08:56
Será que a câmara e junta de freguesia da nossa terra ao longo destes 30 anos só olharam para o seu umbigo não conseguiram ao fim de tantos e tantos anos ver a desertificação das aldeias do estremo sul do concelho ou será que eu estou enganado e estão a pensar nu assunto só que não nos dizem nada ? vejam se acórdão de modo a criar condições para que a pouca juventude que ainda cá vai sobrevivendo cá se mantenha e criar condições para atrair alguma que de cá saiu façam alguma coisa para justificarem os ordenados chorudos que recebem.
De RESENDE a 12 de Março de 2011 às 11:36
O meu nome é Sandro Resende de 35 anos, e o tio Alexandre como o descreve é meu bisavõ, penso que o meu pai, neto do Alexandre Martins lhe enviou um email para saber um pouco mais do que aconteceu. Foi uma boa surpresa este blog e este post.
ate breve
De Voz do Goulinho a 13 de Março de 2011 às 18:54
Caro Resende sou nascido e criado no Goulinho parte da minha infancia foi passada na quinta do Boco minha avó e minha Mãe colitvam lá a terra conheci muito bem o tio Alexandre assim como os seus filhos o ultimo a sair de lá foi o António mais informções estou ao dispor do que eu poder informar.

Vai um abraço
De Resende a 13 de Março de 2011 às 19:12
Caro amigo, obrigado pela sua rápida resposta.
Gostaria muito de saber, a localização exacta da casa do meu bisavó ( se ainda existem), pois gostaria muito de as visitar, descobrir uma das minhas raízes, pelo que sei, o antonio era irmão da minha avo deolinda.
Obrigado por esta ajuda
Cumprimentos
Sandro
De Voz do Goulinho a 15 de Março de 2011 às 14:54
Caro Resende em breve irei ao Goulinho talvez para o fim deste mês e vou tirar uma foto do que resta das casas do Boco e farei uma postagem sobre as ditas casas o amigo vá passando por aqui que eu vou de certeza satisfazer os seus dezejos.
um abraço
De Resende a 19 de Março de 2011 às 07:53
Caro amigo, agradeço a sua disponilibidade e ficarei atentamente a seguir o seu blog.
Um abraço
S
De Voz do Goulinho a 19 de Maio de 2011 às 15:04
Caro Resende Já tem a resposta que pretendia é só visionar.

Um abraço

Comentar post

.mais sobre mim

.pesquisar

 

.Julho 2012

Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab
1
2
3
4
5
6
7
8
9
10
11
12
13
14
15
16
17
19
20
21
22
23
24
25
26
27
28
29
30
31

.links

.as minhas fotos

blogs SAPO

.subscrever feeds