As noticias e comentários do dia a dia de uma pequena aldeia da freguesia de Aldeia das Dez no concelho de Oliveira do Hospital.

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Segunda-feira, 5 de Julho de 2010

GOULINHO E UM POUCO DA SUA HISTÓRIA

O Goulinho, fica na serra do Açor, entre a serra da Estrela, e a serra da Lousâ, a cerca de 1 km do Santuário de Nossa Senhora das Preces, ( o maior Santuário Mariano das Beiras ) esta pequena, mas muito acolhedora aldeia, pertence à Freguesia de Aldeia das Dez, concelho de Oliveira do Hospital , Distrito de Coimbra.

 

O nome do Goulinho, segundo a lenda ( não sei se é verdadeira ) está relacionada, com os romeiros que por aqui passavam rumo ao Santuário de Nossa Senhora das Preces, vindos de longe por montes e vales, calcorreando caminhos e veredas, chegados ao Goulinho pediam aos moradores deste pequeno lugar UM GOLINHO DE ÁGUA .

 

 

 

As primeiras casas da aldeia são feitas em xisto outras em granito com o passar dos anos essa construção deu lugar a uma mais moderna.

O acesso ao Goulinho é feito pela estrada que sai da Ponte das Três Entradas passando por Aldeia das Dez - Goulinho - Vale de Maceira ( Santuário de Nossa Senhora das Preces ).

 

Na parte mais antiga da aldeia as ruas são estreitas e não dão acesso a automóveis. O piso das ruas era feito em calçada portuguesa nos últimos anos sofreu um atentado pois hoje as calçadas estão cobertas com cimento ( não sei até quando ) as restantes ruas actualmente por obras feitas ( conduta de água) para abastecimento da Freguesia estão todas esburacadas não sei quando é que a nossa Câmara virá repor o que por obrigação lhe compete.

 

O Goulinho se bem que servido por uma boa estrada ( há já algum tempo em beneficiação tempo eu considero já ser demais ) servidos de bons transportes públicos duas vezes ao dia pela carreira que sai do Chão Sobral para Oliveira do Hospital com creche e centro de dia a cerca de 5 km na sede de Freguesia, centro escolar a 12 km sendo as crianças transportadas em autocarros custeados pela CMOH. Com todas estas regalias sofre de uma forte desertificação com poucos residentes permanentes e já com uma idade muito avançada excepto aos fins de semana e feriados que a aldeia rejuvenesce com a chegada de Goulinhenses vindos de Coimbra e Lisboa para aqui recarregarem baterias para a semana seguinte.

 

O Goulinho não tem comércio mas é visitado por vários vendedores ambulantes tais como padeiro, peixeiro, talho, fruta , mercearias , roupas, gelados e congelados etc.

 

A industria também por aqui passou o Goulinho teve oficinas de sapateiro que sobreviveram até à década de sessenta, teve vários carpinteiros, uma serração de madeiras e fabrico de móveis, moagem de cereais especialmente milho.

 

Património religioso tem uma pequena capela do século XVIII cujo padroeiro é São Paulo que é festejado em Janeiro, a capela tem outros Santos nomeadamente Nossa Senhora da Boa Viagem, Santa Filomena e Sagrado Coração de Jesus cujos festejos são normalmente no primeiro domingo de Agosto.

 

Criação animal já lá vão os tempos em que todas as famílias na primavera compravam um porquinho para engorda e matar em Dezembro. Ficava uma reserva na salgadeira para irem comendo durante o ano ( era o amanho da casa ) fazia-se as chouriças, eram postas a secar no fumeiro na cozinha e por cima estava o caniço para secar as castanhas ( castanhas piladas ) os presuntos normalmente eram vendidos para arranjar dinheiro para comprar outro porquito para o ano seguinte.

 

A alimentação baseava-se no caldo de couves, carolo, sopa de castanhas piladas, batatas, coelho ou galinha ( em doença ou dia de festa ), broa e sardinha etc. Os ovos eram guardados na arca no meio do milho para fazer a tigelada e o pão de ló nas festas, os restantes eram vendidos a uma senhora chamada Dª Elvira que vinha do Piodão donde era natural e que pernoitava muitas vezes em casa da minha madrinha Dª Aurora eque depois os levava numa cesta à cabeça para o Piodão ( é de recordar que nesse tempo não havia estrada para o Piodão) depois ia vende-los ao Fundão e Covilhã atravessando a serra por caminhos muito difíceis fosse com chuva ou com sol.

 

Havia duas juntas de bois uma do tio Cipriano outra do Carmindo que lavravam as melhores terras e com bons acessos para os ditos animais, as restantes terras os chamados bocados ou combaros eram cavados por grupos de homens e mulheres .

 

À volta da aldeia tudo era cultivado havia outras quintas mais distantes de acesso difícil estou-me a lembrar da Barroqueira, Lameiro Longo, Corralão, Maroucho, Enxertada, terras que tinham muita água e se criava bom milho e feijão tudo o que nestas pequenas quintas se produzia tinha que vir ás costas ou á cabeça das pessoas para o Goulinho.

 

A quinta mais fácil de cultivar era a Quinta do Boco tinha muita água para regar tudo o que ai se semeasse e a maioria dos bocados ou calhadas podia ser lavrada pelos bois. A produção podia vir por estrada. De todas estas quintas esta foi a última a ser abandonada restando dois ou três teimosos que ainda se vão esforçado para manterem as suas propriedades limpas de silvas e matos. Hoje a quinta do Boco que há cerca de cinquenta anos ainda era habitada hoje uma grande parte é só silvas e o restante é um lindo soito de castanheiros.

 

 

 

No Goulinho e quintas agregadas cultiva-se um pouco de tudo com maior predominância do milho, batata, feijão, vinho, azeite e algum centeio. O Goulinho tem duas eiras cujo piso é feito com belíssimas pedras em granito era lindo ver no tempo da malha do centeio os homens normalmente dois de cada lado ( ás vezes mais ) manuseando os manguais malhando o centeio que depois de limpo era secado ao sol tal como o milho que depois de transformado em farinha era amassado e cozido no forno comunitário que ainda hoje existe mas que pouco uso tem, só em dias de festa um ou outro Goulinhense se serve do mesmo para assar algumas carnes (cabra ou ovelha). A palha de centeio servia para encher os colchões onde o nosso povo dormia também servia para esse efeito as folhas que protegem as espigas de milho chamados de folhelhos.

 

 

 

Tudo isto faz parte da nobre História do meu Goulinho e que muito me orgulha de ainda ter feito parte desta vivência muito mais de aqui ter nascido e vivido a minha adolescência.

 

 

 

 

Caro leitor se é um amante da natureza e quer desfrutar de um ar puro num ambiente sossegado acordar ouvindo o cantar dos passarinhos sem outros ruídos longe da bagunça das grandes cidades venha viver para o paraíso do meu Goulinho. Visite-nos um povo hospitaleiro espera por vós,

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

publicado por vozdogoulinho às 00:01
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3 comentários:
De Lourdes a 5 de Julho de 2010 às 20:36
António
No Goulinho , assim como em todas as outras aldeias da nossa serra a vida foi muito difícil, mas havia muita gente a habitá-las. Hoje com tudo mais simplificado, infra-estruturas básicas que algumas povoações dos arredores dos grandes centros urbanos não possuem e aquela tranquilidade, ar e água puros das nossas aldeias caminham a passos largos para a desertificação.
Às vezes pergunto-me: Será que valeu a pena tanto esforço enfrentando as vicissitudes e as despesas que nos apareceram pela frente, para desenvolver e criar melhores condições de vida nas terras onde temos as nossas raízes?
Claro que chego à conclusão que sim, quanto mais não fosse porque tive a oportunidade de ver a alegria de todos aqueles que nasceram e morreram nas suas povoações e, não tendo nada começaram a desfrutar dos melhoramentos à medida que eles se iam tornando realidade. Esses sim. Esses souberam dar o valor aos melhoramentos que lhes foram proporcionados pois viveram o "antes" e o "depois".

De Anónimo a 7 de Julho de 2010 às 15:45
Caro António
Fiquei a conhecer melhor o Goulinho.
Parabéns.
F. Vasconcelos
De LUIS ANTUNES a 7 de Julho de 2010 às 23:38
meu carissimo amigo Antonio
Conheço razoavelmente a serra do Açor
de ha muitos anos atraz e como já estive em Vale de Maceira e Aldeia das Dez devo ter estado tambem no Goulinho
Sinceramente não me recordo
Um dia qualquer vou passar por aí para avivar a memória
um abraço

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