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Segunda-feira, 13 de Fevereiro de 2012

GENTE DO POVO

 

Sou e serei sempre admirador profundo das gentes simples do povo, que no fundo é onde estão as minhas raízes, a que me orgulho de pertencer.

 

E por isso hoje, vou recordar com saudade, um grande homem do povo, falecido já há alguns anos e que muito fez pelo meu Goulinho.

Esse homem chamava-se António Lourenço Duarte, nos anos cinquenta, sem apoios ou subsídios, ( nesse tempo não havia esses luxos ) montou de raiz uma serração de madeiras, e fabricação de móveis.

Mais tarde sabendo das dificuldades que o povo tinha, em moer os cereais, ( milho e centeio ) principalmente nos meses de verão, época em que a água na barroca escasseava, montou uma moagem de farinha.

Vinha gente de outras terras nomeadamente da Gramaça, Porto Silvado, Barroja, Cimo da Ribeira, Aldeia das Dez e muitas outras terras, trocar os respectivos cereais por farinha.

Este homem foi o maior empregador da nossa Freguesia, e grande amigo do Goulinho, foi graças ao seu dinamismo que o Goulinho teve energia eléctrica mais cedo, que qualquer outra aldeia da Freguesia.

Gostava da sua terra, das suas gentes, o seu pensamento era fazer crescer o Goulinho, ao ponto de lotear uma parcela de terreno, para facilitar os nossos conterrâneos com vontade de construir uma casa, na sua terra o pudessem fazer.

Homem crente na fé, ofertou para a nossa capela, a imagem de Nossa Senhora da Boa Viagem em agradecimento á Virgem, pelas muitas viagens que os seus motoristas faziam sem qualquer acidente.

Quem convivesse de perto com o Ti António, não passava fome, havia sempre um bocado de broa, uma lasca de bacalhau, um bocado de queijo, ou presunto, e uma boa malga ( tigela) de vinho.

Se este homem estivesse hoje entre nós, não tenho dúvidas que o Goulinho teria outra dinâmica , e digo com toda a frontalidade, se no Goulinho, alguém merecia ter o seu nome numa das nossas ruas, o Tio António era o primeiro, manifestei este meu desejo em local próprio, ás pessoas envolvidas na escolha dos nomes a atribuir ás nossas ruas, (mas como nestes casos é , “eu quero posso e mando” ) o meu desejo não foi concretizado, o erro fica na consciência de alguém… 

publicado por vozdogoulinho às 00:55
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