As noticias e comentários do dia a dia de uma pequena aldeia da freguesia de Aldeia das Dez no concelho de Oliveira do Hospital.

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Terça-feira, 1 de Julho de 2008

Romaria ao Santuário de Nossa Senhora das Preces

Hoje acordei diferente... sentia no ar um cheiro a festa! Nesse momento veio-me à memória a romaria do santuário meu vizinho ou seja a romaria da Nossa Senhora das Preces. Ainda sinto um arrepio ao lembrar-me de um passado distante em que nesta altura, por todos os caminhos ao meu redor era um fervilhar de gente vindo dos lados de Pomares pelas Almas, pelo Fojo, pela Panasqueira, pela estrada de Aldeia das Dez... Cada um vindo de vários pontos do país tais como Pampilhosa da Serra, Sertã, Castelo Branco, Viseu, Guarda, Covilhã, São Vicente da Beira... eram tantos e de tantas terras distantes que algumas já nem me lembro!

 

Vinham em grupos todos eles guiados pela fé que os movia. As mulheres traziam à cabeça os cestos com a comida, os homens tocavam concertina, guitarra, tambor, pandeireta e cantavam com alegria. Era uma alegria vê-los passar! Também eu os recebia com carinho dando-lhe a água  fresquinha das minhas fontes e a sombra da minha carvalha onde eles descansavam algum tempo para ganharem forças para o resto da caminhada. Já aqui, nos meus caminhos começava o negócio, algumas mulheres (que dada a minha falta de memória já não me lembro do nome) vendiam sumos, chá dos pirolitos e refrescos de capilé aos romeiros que depois de refrescados lá seguiam o seu caminho.

Muitos deles traziam promessas difíceis de cumprir tais como irem de joelhos até à igreja logo que avistassem o santuário (que sofrimento...) outros ao chegarem rezavam, davam voltas de joelhos em volta da igreja e faziam as suas ofertas tais como velas da sua altura. Naquele tempo o dinheiro era pouco porque os tempos eram difíceis e como tal em sua substituição e movidos pela fé, ofereciam anéis, cordões e gargantilhas em ouro (até se dizia que este era o santuário mais rico das beiras). Quando as suas promessas estavam cumpridas comiam a ceia e descansavam, pois muitos grupos chegavam na sexta feira.

 

 

 

No sábado assistiam logo pela manhã à Santa Missa, durante o dia havia muita diversão desde bailes, passando pelos carroceis e carrinhos de choques. O terreiro enchia-se de barraquinhas de comes e bebes. A GNR vinha orientar o trânsito e quando alguns poucos romeiros já com alguns copitos a mais por vezes provocavam alguma desordem, eram presos e dormiam a noite no calaboiço por baixo do coreto. Nesse tempo a própria GNR tinha alguma dificuldade no trânsito, pois vinha muita gente em excursões . Era um regalo ver todas aquelas camionetas a passar, até se perdia a conta... Pareciam comboios todas seguidas apenas com intervalos de alguns poucos carros ao contrário de hoje que são muito mais carros do que camionetas. Enfim... os tempos são outros! No sábado à noite tínhamos a Via Sacra onde um grande pregador explicava o sofrimento de Cristo enquanto percorria as várias capelas alusivas às últimas horas de Jesus, desde a última ceia até ao sepulcro. Logo que terminava esta cerimónia, entrava-se novamente na diversão! Eram feitos bailes por todo o lado, cantavam mulheres e homens cantigas ao desafio, todos esqueciam as tristezas, misérias e dores...

O povo do Vale de Maceira alugava as camas e ia também ele para o terreiro passar a noite na festa. Nos currais mais próximos do Santuário os proprietários tiravam o gado que ficava na rua entre cancelas feitas de madeira, nesses currais era posto mato novo, normalmente de carqueja, onde os romeiros com melhores posses dormiam mais resguardados. Isto porque há muitos anos atrás a romaria era feita no mês de Maio e por vezes chovia e fazia muito frio, como tal, qualquer sitio onde se pudessem resguardar era muito bem vindo.

 

 

No domingo logo pela manhã participavam na missa vários padres, que antes da sua celebração ouviam as confissões. Por volta das onze horas dava-se inicio ao mais esperado, a missa campal que era feita atrás da igreja. Havia sempre um padre que era chamado de pregador, dava gosto ouvir a pregação e os cânticos. Após este acto o povo almoçava. Se fosse dia de calor as belíssimas carvalhas e jardim circundante saciavam todos os presentes, sendo que por volta das cinco da tarde tinha lugar a grande procissão onde para além do andor da Mãe Santíssima também iam São José, Santo António, São Miguel e todos os estandartes das povoações vizinhas e outros vindos de lugares muito distantes. A procissão era abrilhantada pelas melhores  filarmónicas da região, recordo por exemplo a de Aldeia das Dez, São Gião, São Jorge da Beira e Vila Cova. Findo este acto, para alguns a diversão continuava outros faziam a debandada para as suas terras com a mesma alegria com que tinham chegado e prometendo sempre voltar no próximo ano. Muitos dos que ficavam só partiam na segunda feira, havendo até quem nesses dias seguisse a pé até ao monte do Colcurinho visitar a Nossa Senhora das Necessidades, onde também havia sempre alguém a vender bebidas frescas, pois as mulheres carregavam água de um nascente que havia no monte um pouco abaixo da capela.

 

 

HOJE os tempos são outros e eu estou muito mais velho, as minhas casas estão mais caídas, outras ajardinadas, no entanto acredito que aos poucos os meus filhos me estão a dar o elixir da longa vida... pois cada vez me sinto mais novo!

Apenas vos peço para visitarem este fim de semana o Santuário de Nossa Senhora das Preces, e quando lá estiverem fechem os olhos e deixem a imaginação voar para os tempo que já lá vão... Vejam com os olhos da mente as coisas que vos contei hoje e pensem em quantas pessoas já passaram por aquele terreiro... quantos sonhos, desejos e dores eles viveram! Daqui a cinquenta anos talvez alguém faça o mesmo e se recorde de si...

 

 

Despeço-me com a promessa de para o ano voltar a contar-vos mais algumas histórias desta romaria...


 

publicado por vozdogoulinho às 20:38
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5 comentários:
De DO ALTO DO MONTE a 2 de Julho de 2008 às 14:02
Gostei sou jovem e adorei saber como se festejava no passado esta romaria . pena é que a câmara de Oliveira do HOSPITAL não saiba ou não queira aproveitar esta sala de visitas do concelho.
De luantes a 3 de Julho de 2008 às 13:59
Gostei de ler esse relato das realidades passadas
or acaso nunca fui a essa festa mas conheço muito bem a aldeia
passei por la varias vezes a caminho da ponte das tres entradas
ás vezes vindo de fajão
o vosso blog passa a partir de hoje a ter um link no meu blog
www.bogasdebaixo.blogspot.com
apareçamsempre
De Lourdes Filipe Martinho a 3 de Julho de 2008 às 19:18
Que saudades dessas festas de antigamente! Também eu passei muitas vezes pelo Goulinho a caminho da "Romagem", como se dizia na terra da minha mãe (o Sobral Magro).
De António M. R. Martins a 3 de Julho de 2008 às 23:29
Quem fala assim não é gago!... É que isto de falarmos de nós tem o seu quê!... Nada de preconceitos nem desvarios, ordenadamente perfeito, sem rótulo de auto elevação.
Goulinho tens uma forma serena e humilde de contar a tua vida, não és vaidoso. Escreves bem e de forma genericamente compreensível. Continua assim, pode ser que continues a receber no teu seio as pessoas que te admiraram e as que, agora, ao ler-te (como se te ouvissem) te passam a admirar... Parabéns!!!
De DO ALTO DO MONTE a 4 de Julho de 2008 às 17:07
Goulinho lugar pequenino com sua voz cansada da idade mas muito melodiosa dá gosto ouvir as suas histórias é como um avô a contar histórias a um neto e como nós sabemos quem já é avô ou avô os netos nunca estão satisfeitos querem sempre novas histórias e nós adultos também queremos GOULINHO CONTA MAIS:

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